quarta-feira, 20 de julho de 2011

catando a poesia que entornas no chão

cada claraão é como um dia
depois de outro dia abrindo o salçao
passas em exposição
passas sem ver teu vigia
catando a poesia
que entronas no chão

chico buarque


terça-feira, 19 de julho de 2011

poéticas fulinaímicas


Poética fulinaímica

dentro deste arame farpado
este poema deve ter entrado
para nunca mais  sair

arturgomes

sexta-feira, 15 de julho de 2011

pimenta fruta farta


fosse pimenta
fruta farta
felicidade
tua voz seria
sereia mar
marina maresia
fogueira acesa
no teu corpo santo
como farol
de lua
pra espantar
quebranto

artur gomes

segunda-feira, 11 de julho de 2011

gomes & gumes


todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes
de um eu não digo os nomes da outra não mostro os lumes
se um corta com palavras a outra com corte mesmo
se um é produto da fala a outra do ódio a esmo 


todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes
e um amor cego nas asas brilhante de vagalumes
se em um a linguagem é sacana
na outra o corte é estrume
todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes 
se em um peixe é  palavra na outra o brilho é cardume
é fio estrela na lavra mal cheiro vício costume
de um eu não digo os nomes da outra não mostro os lumes 


se em um a coisa é sagrada ofício provindo das vísceras
na outra a fé é lacrada hóstia servida nas missas
se em um é  cebola cortada aroma palavra carniça
na outra o ferro, é tempero fé cega - fome amolada
– poema é só desespero

Poema dois
 
a tarde morre
quando estou
de frente
ao cais
 
quando estou
de frente
ao cais
a tarde não morre
a noite
faz

artur gomes – entre/vistas