segunda-feira, 11 de julho de 2011

gomes & gumes


todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes
de um eu não digo os nomes da outra não mostro os lumes
se um corta com palavras a outra com corte mesmo
se um é produto da fala a outra do ódio a esmo 


todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes
e um amor cego nas asas brilhante de vagalumes
se em um a linguagem é sacana
na outra o corte é estrume
todo poema tem dois gomes toda faca tem dois gumes 
se em um peixe é  palavra na outra o brilho é cardume
é fio estrela na lavra mal cheiro vício costume
de um eu não digo os nomes da outra não mostro os lumes 


se em um a coisa é sagrada ofício provindo das vísceras
na outra a fé é lacrada hóstia servida nas missas
se em um é  cebola cortada aroma palavra carniça
na outra o ferro, é tempero fé cega - fome amolada
– poema é só desespero

Poema dois
 
a tarde morre
quando estou
de frente
ao cais
 
quando estou
de frente
ao cais
a tarde não morre
a noite
faz

artur gomes – entre/vistas

Um comentário:

  1. Gosto de visitar o seu espaço.Consegue transformar em poesia as coisas que ninguém olha e que fazem parte do nosso cotidiano. Me encantei com a sua reeleitura em ovos de Colombo quebrado e frutos podres do chão.

    Um abraço.

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