terça-feira, 27 de dezembro de 2011

fulinaimagem

gabriela azevedo em ação 
na 19ª Semana do Saber Fazer Saber IFF - 
fotos: artur gomes


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o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleAndo rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana

procuro um mix da guitarra de santana
com os  espinhos da Rosa de Noel

artur gomes

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

fulinaimagem

gabriela azevedo - fotos: artur gomes

Fulinaimagem


por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais

e essa lua mansa fosse faca
a afiar os versos que inda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

artur gomes
Vídeo produzido na Oficina Cine Vídeo do IFF – com trilha sonora da banda carioca Riverdies – Direção: Artur Gomes

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

depois da chuva


folhas podem ser facas
pétalas podem ser pedras
cavalos são metáforas
na miragem do dia que não vejo
enquanto
alice dorme em sua cama ao lado
e o menino da vizinha
chora pelo pai que foi embora

artur gomes

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

poética


dentro
deste arame farpado
este poema
deve ter entrado
para nunca mais sair

artur gomes

o mundo ronca




 entre o que fala
e cala
a cara
abre-se
dentro da
madrugada
desperta
aperta o nó
e segue
alerta
contra o som
do que não veio
o silêncio
grita entre
a janela e a porta
e no quintal dos fundos
o mundo ronca
sobre tudo
aquilo
que não tenho


entriDentes

o grito
desestrutura o silêncio
atrás da porta
a lâmina acesa
sangra
sob a luz do abajour lilás
a faca escreve
a palavra morta
dois gumes
na noite que estremece
a voz que cala
e o assassino
limpa a lâmina
como quem come
sua última refeição

artur gomes