sábado, 29 de dezembro de 2012

fulinaimagem




Fulinaimagem
1

por enquanto
vou te amar assim em segredo
como se o sagrado fosse
o maior dos pecados originais
e a minha língua fosse
só furor dos canibais
e essa lua mansa fosse faca
a afiar os verso que ainda não fiz
e as brigas de amor que nunca quis
mesmo quando o projeto
aponta outra direção embaixo do nariz
e é mais concreto
que a argamassa do abstrato

por enquanto
vou te amar assim admirando o teu retrato
pensando a minha idade
e o que trago da cidade
embaixo as solas dos sapatos

2

o que trago embaixo as solas dos sapatos
é fato
bagana acesa sobra o cigarro é sarro
dentro do carro
ainda ouço jimmi hendrix quando quero
dancei bolero sampleando rock and roll
pra colher lírios há que se por o pé na lama
a seda pura foto síntese do papel
tem flor de lótus nos bordéis copacabana
procuro um mix da guitarra de santana
com os espinhos da rosa de Noel


a flor da pele da menina

quando a pele da minha retina
cruzou com a flor da pele dessa menina
raios e centelhas acenderam a chama
os nervos se retesaram
e nas mãos as tuas queimando
ao roçar teus seios
por sob o tecido da blusa
onde meus olhos em brasa
queriam estar rente a pele
como um passeio que revela
a luz de todas as coisas
que existem na caravela
como uma pétala de girassóis
que eu descobri nos olhos dela

arturgomes

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

tecidos sobre a pele




Terra,
antes que alguém morra
escrevo prevendo a morte
arriscando a vida
antes que seja tarde
e que a língua
da minha boca
não cubra mais tua ferida
entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
e minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha
amada de muitos sonhos
e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio
o que me dói é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos por fidelidade
ó terra incestuosa
de prazer e gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro à fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante
minha terra
é de senzalas tantas
enterra em ti
milhões de outras esperanças
soterra em teus grilhões
a voz que tenta – avança
plantada em ti
como canavial que a foice corta
mas cravado em ti
me ponho a luta
mesmo sabendo – o vão
estreito em cada porta
usina
mói a cana
o caldo e o bagaço
usina
mói o braço
a carne o osso
usina
mói o sangue
a fruta e o caroço
tritura suga torce
dos pés até o pescoço
e do alto da casa grande
os donos do engenho controlam
: o saldo e o lucro
 Artur Gomes
in Suor & Cio - 1985 Mostra Internacional de Poesia Sonora - Itália 1990 Fulinaíma Sax Blues Poesia  - 2002 Poesia do Brasil - Vol. 13 - 2010
obs.: agora selecionado com mais 4 poemas de Artur Gomes para representar o Estado do Rio de Janeiro  na antologia Binacional Brasil/Uruguai a ser editada em 2013 pelo pelo Governo do Uruguai através da  Universidade do Trabalho 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Mostra Cine Vídeo - IFF 30/11 - 16h



Mostra Cine Vídeo IFF Campus Campos Centro
Dia 30 novembro 2012 - 16h
Local: Auditório Miguel Ramalho - IFF
Campus Campos Centro - Rua Dr. Siqueira, 273
Campos dos Goytacazes-RJ

SagaraNAgens Fulinaímicas

guima
meu mestre guima
em mil perdões
eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser

arturgomes

sábado, 24 de novembro de 2012

poéticas

fotos: artur gomes

poética 26

a faca
afiada de metal
rasga
os bagos da fruta
enquanto outra faca
de carne não de aço
cospe em solidão
o líquido do amor
que não fizemos

poética 27

paixão é tudo
entre teu corpo e o poema
a faca desliza
amolada
entre a casca e a pele da fruta

quando sair para o banho
acenda a luz do abajour
aos pés da cama
e deixe que eu escreva nos lençóis
as palavras selvagens
que baudelaire nos ensinou

artur gomes

domingo, 4 de novembro de 2012

Blues & Jazz no Sesc Campos


 
Isadora Zecchin - musa da minha cannon

Jazz Free Som Balaio
Para Moacy Cirne
gravada no CD fulinaíma sax blues poesia

ouvidos negros Miles trumpete nos tímpanos
era uma criança forte como uma bola de gude
era uma criança mole como uma gosma de grude
tanto faz quem tanto não me fez
era uma ant/Versão de blues
nalguma nigth noite uma só vez

ouvidos black rumo premeditando o breque
sampa midnigth ou aversão de Brooklin
não pense aliterações em doses múltiplas
pense sinfonia em rimas raras
assim quando desperta do massificado
ouvidos vais ficando dançarina cara
ao Ter-te Arte nobre  minha musa Odara

ao toque dos tambores ecos sub/urbanos
elétricos negróides urbanóides gente
galáxias relances luzes sumos prato
delícias de iguarias que algum Deus consente
aos gênios dos infernos
que ardem gemem Arte
misturas de comboios das tribos mais distantes
de múltiplas metades juntas numa parte

Artur Gomes
poeta.ator.vídeo.maker

Fulinaíma Produções
(21)6964-4999
 (22)9815-1266

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Ind/Gesta



ê fome negra incessante
febre voraz gigante
ê terra de tanta cruz

onde se deu primeira missa
índio rima com carniça
no pasto pros urubus

ponho meus dedos cínicos no teu corpo em fossa
proclamando o que ainda possa vir a ser surpresa
porque amor não te essa de cumer na mesa
é caçador e caça mastigando na floresta
toda tesão que resta desta pátria indefesa

meto meus dedos cínicos sobre tuas costas
vou lambendo bostas destas botas neo-burguesas
porque meu amor não tem essa de vir a ser surpresa
é língua suja e grossa visceral ilesa
pra lamber tudo que possa vomitar na mesa
e me livrar da míngua desta língua portuguesa

neste país de foto & palha
se falta lenha na fornalha
uma mordaz língua não falha
cospe grosso na panela
da imperial tropicanalha

não me metam nestes planos
verdes/amarelos
meus dentes vãos/armados
nem foices nem martelos
meus dentes encarnados
alvos brancos belos
já estão desenganados
desta sopa de farelos

arturgomes

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

poética 10

foto: may pasquetti

não quero apenas a língua
que na poesia possibilita
a relação do poeta
com o  ser amado
a musa

quero saber do tecido
da pele sob a blusa
onda a língua possa
passear  tranquila
além da poesia
que vier do ato

esse fato em ti procuro
no silêncio da palavra escrita
enquanto ainda não falo
ou grito
em teus ouvidos
o que na verdade sinto

e dói lá dentro
por não poder
estar no centro
do teu ser
agora

artur gomes
fulinaíma produções
(22)9815-1266
(21)6964-4999

terça-feira, 11 de setembro de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

mãos que tecem redes e enfrentam o mar


 velho pescador do Pontal - Atafona - fotos: artur gomes
vivemos um tempo num país
em que homens que com suas mãos
tecem redes e enfrentam o mar
em busca do peixe/pão de cada dia
vivem entregues a própria sorte
que algum deus dará
e se não houver deus
não será sorte nenhuma
ou país nenhum terá
morrerá entregue a sua solidão
envenenados pela saliva das boiunas
que de 4 em 4 anos vomitam
de suas bocas cínicas palavras/promessas
pelos auto falantes do país
que nunca serão cumpridas

arturgomes – fulinaíma produções
mãos que tecem redes e enfrentam o mar
http://www.youtube.com/watch?v=ApVIfxbdaAM&feature=plcp

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Pontal Foto Grafia


fotos: Welliton Rangel e Artur Gomes

Aqui,
redes em pânico
pescam esqueletos no mar 
esquadras – descobrimento
espinhas de peixe 
convento
cabrálias esperas 
relento 
escamas secas no prato
e um cheiro podre no 
AR 

caranguejos explodem 
mangues em pólvora 
Ovo de Colombo quebrado
areia branca inferno livre
Rimbaud - África virgem – 
carne na cruz dos escombros
trapos balançam varais 
telhados bóiam nas ondas 
tijolos afundando náufragos 
último suspiro da bomba
na boca incerta da barra 
esgoto fétido do mundo
grafando lentes na marra
imagens daqui saqueadas 
Jerusalém pagã visitada 
Atafona.Pontal.Grussaí 
as crianças são testemunhas: 
Jesus Cristo não passou por aqui 

Miles Davis fisgou na agulha
Oscar no foco de palha 
cobra de vidro sangue na fagulha 
carne de peixe maracangalha 
que mar eu bebo na telha
que a minha língua não tralha? 
penúltima dose de pólvora
palmeira subindo a maralha
punhal trincheira na trilha
cortando o pano a navalha
fatal daqui Pernambuco 
Atafona.Pontal.Grussaí 
as crianças são testemunhas:
Mallarmè passou por aqui 

bebo teu fato em fogo 
punhal na ova do bar
palhoças ao sol fevereiro 
aluga-se teu brejo no mar 
o preço nem Deus nem sabre
sementes de bagre no porto
a porca no sujo quintal
plástico de lixo nos mangues 
que mar eu bebo afinal?

Artur Gomes In carNAvalha Gumes
http://www.goytacity.blogspot.com

Publicado na Antologia Ineternacional - Eco Arte Para Re-Encantamento do Mundo, organizada pela Bióloga Micelle Sato e editada pela Universidade Federal do Mato Grosso

quinta-feira, 26 de julho de 2012

terra



entre/aberto
em teus ofícios
é que meu peito de poeta
sangra ao corte das navalhas
minha veia mais aberta
é mais um rio que se espalha

amada
de muitos sonhos e pouco sexo
deposito a minha boca no teu cio
e uma semente fértil
nos teus seios como um rio

o que me dói
é ter-te
devorada por estranhos olhos
e deter impulsos
por fidelidade

ó terra incestuosa
de prazer & gestos
não me prendo ao laço
dos teus comandantes
só me enterro a fundo
nos teus vagabundos
com um prazer de fera
e um punhal de amante

arturgomes