domingo, 17 de abril de 2016

dois olhos famintos



dois olhos famintos

o bife de peixe seco
cheirava no prato
entre espinhas e indigências

não tive  a coragem
de provar do artefato
nem correr o risco de fazer
o que não fiz

o estômago vazio
corroia as tripas
enroscadas uma nas outras

o poema foi nascendo assim
:
entre a dor e o desespero
de ver dois olhos famintos
devorando o que eu não quis

Artur Gomes


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